Lançamento do Almanaque D’Elas: “o feminismo é um movimento de cultura”

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O Museu Histórico de São José/SC abriu suas portas, na noite fria de ontem, para falar de feminismo. Espaço de cultura, oportuno para o lançamento do Almanaque D’Elas, que propõe a mudança do senso comum que aceita a dominação do homem sobre a mulher. “O feminismo é um movimento de cultura. A dominação é fruto de relações interpessoais de poder, de relações políticas. Para conter nosso avanço, buscam nos desqualificar através de estereótipos”, afirmou Clair Castilhos, secretária executiva da Rede Feminista de Saúde.

Clair arrancou risadas do público ao explicar que a publicação é pautada pela leveza para desmistificar a maneira como a sociedade “enxerga” as feministas: “aquelas chatas de bigode, que irão morrer sozinhas”. A secretária afirmou que o movimento tem objetivos bem definidos, é uma luta contra a violência doméstica, contra o estupro, pela criminalização do feminicídio, em favor da atenção à saúde da mulher e pelo direito ao aborto seguro.

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A feminista lembrou que o Brasil é o quarto país do mundo em mortalidade materna, ficando atrás apenas de Guatemala, África do Sul e Iraque (em guerra). Mortes que ocorrem também em função do aborto clandestino. “Um problema considerado de saúde pública pela magnitude do dano e porque é possível de prevenir. A gravidez indesejada é prevenida com políticas públicas”, afirmou.

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O terceiro milênio é das mulheres
Clair falou sobre o teor educativo do almanaque e destacou um texto sobre a Conferência Mundial das Mulheres, realizada na China, em 1995, considerada um marco na luta. “A palavra de ordem no encontro foi que o terceiro milênio nos pertence. De 2000 em diante o movimento é das mulheres. Por uma sociedade igualitária, fraterna, em que as pessoas se respeitem. É a mulherada na fita, como dizem os manos”, brincou a militante histórica, primeira vereadora de Florianópolis.

Vera Lúcia Firmiano, presidenta da Casa Catarina, entidade que representa a rede, lembrou os 26 anos de história da luta feminista no estado, que busca empoderar a mulher e criar uma sociedade mais justa. “Ser feminista é um ato de ser mulher. Estamos nas conferências, tentando construir políticas públicas efetivas. Só é possível transformar com presença nos espaços de poder. Precisamos ser iguais em número na hora da decisão”, pontuou.

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Sheila Sabag, presidenta do Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres (Cedim/SC), falou da importância de discutir a participação das mulheres na política. “Aqui em São José temos mulheres vereadoras, porém em Florianópolis, há duas eleições, não há presença de mulheres no legislativo municipal. A presidenta destacou a importância de pensar em propostas para o Sistema Nacional de Políticas para as Mulheres, que está sendo discutido na Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. “Que sistema queremos? Precisamos de políticas de Estado e não de governo. Esse é um dos nossos eixos nas conferências municipal e estadual”, afirmou.

Dona Diba e seus 11 mil partos
O público se emocionou com a história de “dona Diba”, Diba Elias Gerber, personagem conhecida na cidade pelos partos que realizava. Foram mais de 11 mil. “Graças ao hábito de anotar no caderninho, a mulher conseguiu transmitir sua história impar”, contou Giana de Souza. Dona Diba nasceu no Líbano, em 1889 e veio com os pais e os irmãos para o Brasil quando completou doze anos. Logo que chegaram ao bairro Potecas, em São José, a menina, ainda com boneca nas mãos, foi “entregue” para casar, como forma de compensação. Aos 26 anos já tinha quatro filhos e aos 26 já era avó, a mais jovem do país, como ficou conhecida. “Pode ser considerada a biografia mais rica da cidade”, assinalou a contadora.

 

 

 

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