ABORTOOPINIÃO

CRIANÇA NÃO É MÃE – sobre caso da menina de 10 anos estuprada no ES

niñas no son madres

A Rede Feminista de Saúde está acompanhando de perto as articulações de apoio e garantia dos direitos, incluindo ao aborto legal previsto em lei, a menina de 10 anos estuprada pelo tio no Espírito Santo. Após uma verdadeira via-sacra de violências, que incluiu a entrada da criança e avó escondidas dentro do porta-malas de um carro no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros – CISAM, em Recife (PE), o procedimento foi realizado e ela passa bem. 

 “Eu tô bem, quero voltar logo, porque quero jogar futebol’. O tempo todo ela ficou agarrada a uma girafa de pelúcia.”, disse a pequena a coordenadora do Grupo Curumim, que concedeu uma entrevista ao Portal Catarinas contando como foi a ‘força tarefa’ que a situação necessitou. 

 É muito triste e desesperador ver às inúmeras violências que essa criança passou e ainda irá passar. Além de ser estuprada desde os seis anos, precisou lutar contra o Estado Brasileiro e teve seu nome divulgado publicamente pela extrema-direita,  o que garantiu um show de horrores dos fundamentalistas que gritavam absurdos e tentavam entrar a força no hospital durante o procedimento. 

 Quantas meninas são estupradas e obrigadas a gestarem no Brasil? DIARIAMENTE, ocorrem 135 estupros por dia no Brasil, estamos falando apenas dos notificados. Vale lembrar que de acordo com o Atlas da Violência (Ipea/FBSP) apenas 15 % dos casos são reportados. Sabemos que 53,8% das pessoas violentadas sexualmente são meninas de até 13 anos. Quantas são torturadas e forçadas a manterem a gestação diariamente? Infelizmente, isso é impossível mensurar. Somos sexualizadas e objetificadas desde que nascemos. Precisamos permanecer atentas, fortes e juntas para lutarmos e garantirmos nossos direitos sexuais e reprodutivos.   

 A Rede Feminista de Saúde parabeniza a equipe médica envolvida, as companheiras da Fórum de Mulheres de Pernambuco e demais movimentos que apoiaram e se manifestaram em frente ao hospital, bem como todos os coletivos, redes, movimentos que lutam pelos direitos sexuais e reprodutivos das pessoas com útero. 

 Nós estamos monitorando os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Acompanhe a nossa luta:

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